Este é um blog normal. Um blog onde vou escrever o que me vai na alma. Bom ou mau. Sobre mim ou não. Todos os dias ou só às vezes. Quando me apetecer. Afinal, este é só um blog de uma miúda comum. Que tem dias de inspiração e outros sem ela. Mas feito com o coração. E isso é uma promessa.
Hoje pus-me a
pensar, e percebi que lido melhor com a minha dor, do que com a dor dos outros.
É que com a minha
sei como dar a volta. Se não sei, arranjo, invento. Distraio-a, troco-lhe as voltas.
Passo-lhe uma rasteira. Ou dou-lhe, simplesmente, um belo pontapé no cu.
Com a dos outros
não é assim. Com a dos outros fico muitas vezes sem saber o que dizer, sem
saber o que fazer, sem conseguir ajudar. Sinto-me impotente. Eu, que estou
habituada a saber sempre o que dizer. A controlar a dor. Mas, sim, a minha.
O que mais me
custa é quando são causas aparentemente perdidas. Cientificamente perdidas. Causas
onde o que nos resta é a esperança. Mas também o que é isto de nos "agarrarmos à
esperança" quando estamos a falar de casos sem ela? Ou mesmo de pessoas que, por natureza, não
a têm?
“Tens que ter
calma”. “A vida é mesmo assim”. “Temos que aprender a aceitar”. “A ciência
avança muito rapidamente”. “Pensa que algo vai acontecer de bom”. “És forte e vais
superar”. "Luta, luta, luta". “Tem esperança”. Pronto, estão a ver…? Até eu digo aos outros para se
agarrem à esperança, mesmo sentindo no meu coração que de pouco vale. Mas, se
não disser isto, digo o quê?
“Se acreditas em Deus,
reza”. “Se acreditas noutra coisa qualquer, segue-a”. “Acima de tudo, faz o que
o teu coração te manda fazer”. “Se for gritar, grita”. “Se for chorar, chora”. “Se
for partilhar, partilha”. Porque quando gritamos, choramos ou partilhamos, deitamos
cá para fora um bocadinho desta dor. Porque se a deixamos lá dentro, ainda nos corrói
mais. E não lhe podemos dar esse espaço. É que se o fazemos, ela é má e toma
mesmo conta de nós.
Tenho tanta pena...Mesmo. Há alturas, há casos, em que é difícil ter uma palavra de conforto. Daquelas
que confortam. Que aliviam. Que mostram um caminho. O caminho.
E, por isso, nessas
alturas só podemos dar o que temos. Um ombro forte. Um sorriso que compreende. Um
abraço demorado. Um beijo mais profundo. Um dar a mão mais apertado. Como quem diz, “Nada
posso fazer ou dizer, mas estou aqui”. E estou. E fico. E vou. Mesmo que esteja longe.
Desenrasco-me e vou.
A presença da possibilidade da morte
nas vidas dos outros, é uma merda. Rouba-me as palavras. Curioso que na minha soube
quase sempre como a enfrentar. E vos garanto que não passou por aceitar. Porque
isso, nunca fiz. Mas, se calhar, era diferente.
No fundo, mesmo
lá no fundo, este texto todo só porque hoje o que me vai na alma era mesmo a vontade ter um dom.
Não o da palavra. Esse, têm muitos. Mas o da palavra certa. No momento certo.
Sempre na ponta da língua. Que acalmasse a dor nos outros, Que, bolas, é tão pior
que a minha.
Hoje estive o dia
todo a contar os minutos para chegar a esta hora. Queria muito partilhar
convosco mais uma história.
Bom, digamos que esta não é bem uma história. É
mais uma memória. E daquelas que o meu cérebro, se tivesse algum juízo, esquecia.
Ou não. Mas, antes de começar, mais um dado importante para que percebam porque
é que me lembrei disto hoje. Porque sonhei com este dia. Quase como ele se
passou.
Por fim, um alerta: este texto exige algum…estômago!
Devíamos estar
perto do final de Abril de 2005. E eu já internada há cerca de quatro meses,
intervalados com algumas melhoras que me devolviam ao meu mundo, à minha casa, à minha família. Mas que dias depois me faziam regressar ao hospital
porque voltava a febre, ou seja, a bicharoca. A septicémia, causada por uma escara infectada na nádega, estava a ganhar terreno.
Fui uma primeira
vez ao bloco para fazer uma abertura na perna. Os médicos queriam conseguir chegar às “partes
moles” (carne, músculos, etc) porque achavam que, atacando a bactéria na zona, na
sua zona, o tratamento seria mais eficaz. Durante semanas mantiveram-me a perna
com essa abertura para irem fazendo limpezas localizadas.
Mas aquilo não
estava a resultar. O raio da febre não paráva e, ao fim da tarde, fazia-me
sempre uma visita. Um amor, portanto.
Até ao dia em que
os médicos, eu acho que quase em desespero, decidem avançar e ir mais fundo.
Chegar ao osso.
Nunca mais me vou
esquecer do dia em que um grupo de homens de bata branca entra no meu
quarto, e um deles me diz “Vamos que mudar o tratamento, temos que ir mais longe.”
Era o chefe de
serviço. Um excelente técnico (e não digo excelente profissional porque, para
mim, excelente profissional tem também que ter um lado mais humano, que este
não tinha). Olha para mim e diz-me claramente “Marta, somos da
opinião de que a bactéria está alojada no teu fémur, mas só conseguimos ter a
certeza abrindo mais, chegando mais perto. Vendo.”
Fiquei a olhar
para ele à espera que me dissesse mais qualquer coisa. Qualquer coisa que
resolvesse aquilo, um caminho. Uma solução, pá! E ele acrescentou “Por isso, vais
agora para o bloco e o que se vai passar é o seguinte: se o problema estiver na
cabeça do fémur, tiramos-ta, se estiver em toda a perna, amputamos-te a perna,
se já tiver passado para o outro lado (anca)…”. Calou-se e baixou a cabeça. Havia
um ser-humano ali dentro, afinal. Como não sou
burra nem estava balhelhas, percebi o recado. Se estivesse na anca, já nada
podiam fazer, a não ser continuarem a dar-me antibióticos e acreditar que o
corpo ia acabar por reagir. Algo que até ao momento, era um facto, não tinha acontecido.
Ou seja, sem parar a porcaria da bicha, nada a fazer.
Olhei para ele, depois
para o médico assistente, um espanhol pouco mais velho que eu e com quem já
tinha estabelecido uma relação mais próxima. Lindo, diga-se de passagem! Percebi que era grave. Respirei
fundo. Mesmo fundo. E respondi “Vamos a isso. Se é mesmo assim, se é para ir, é
agora.”. Ele respondeu que sim, que iam preparar o bloco.
Na altura não
sabia mas o ortopedista que me operou, e que anos depois me tratou
de uma perna partida, contou-me que nesse dia estava de banco e que lhe
disseram apenas “Tens que vir rápido. Temos ali uma miúda que, se não for
tratada rapidamente, se apaga.”
As enfermeiras,
na altura já grandes companheiras de “aventura”, prepararam-me para descer. E lá
fui eu, sempre deitada na minha cama. Lembro-me de ir pelo corredor do serviço,
passar por elas e de as ver de lágrimas nos olhos. E a passarem-me as mãos pela
colcha que me tapava como quem diz “Vai correr bem”. Se eu tinha acabado de
saber a gravidade da situação, elas já a sabiam. Há que tempos.
Enquanto descia
no elevador que nos levava ao bloco, percebi claramente que aquela era a minha hipótese
de me safar. Nem sei bem o que senti. Só sei que não parei de chorar de medo.
Sim, medo daquilo não funcionar – estava farta de tratamentos que nada tinham
adiantado - e de ter que ficar à espera de algo que poderia nunca acontecer.
Quando cheguei ao
bloco fui transferida para outra cama, acho que esterilizada. E deixaram-me
à espera encostada a uma das paredes, num daqueles corredores onde cada porta é um bloco
operatório. Via as enfermeiras a passar, os médicos, os auxiliares. E pensava “Eu
não pertenço aqui, caraças. O meu lugar é esparramada no sofá lá de casa a ver
televisão e enrolada numa manta. O meu lugar é a ver a Carlota a crescer e a
ser uma referência na vida dela. Esta merda vai passar.”
A certa altura, há
um médico que olha para mim, vê-me a chorar, pára e diz “Então? Uma cara tão
bonita a chorar? Não pode ser…”. Respondi-lhe que estava com medo. Ele deu-me a
mão e disse-me que naqueles blocos tinha que se entrar a pensar que se ia sair
bem. Era um médico veterano, com cabelos brancos. Experiente e com ar de
Pai-Natal. Mas aquela touca cheia de bonecos tipo banda desenhada fez-me rir.
Vá, sorrir. E ele disse “Isso mesmo. Uma miúda gira não pode chorar. Vai correr
bem”. E vai-se embora.
Passados uns
minutos uma enfermeira conduz-me até ao bloco. Um sítio gelado, com paredes de
mármore, cheio de máquinas esquisitas. E um monte de enfermeiros a correr de um
lado para o outro. Passado um bocado entram os meus médicos. Os cirurgiões. Mas
acompanhados pelo ortopedista. O tal que tinha sido chamado para “safar a miúda”.
Ah, e a música que se ouve nos filmes durante as cirurgias é verdadeira. Os
meus médicos ouviam rock. Pensei: 'Tou feita!
Vejo o espanhol
que me pisca o olho. Depois apaguei-me com uma bela anestesia geral.
Lembro-me de
acordar no recobro cheia de fome e a perguntar quando é que ia poder comer
um bife com batatas fritas. Os enfermeiros de serviço riram-se e disseram “Quanto
muito damos-te um suminho, mas tens que beber devagar…”. Devia ser o pior sumo
do mundo mas, na altura, soube-me ao melhor.
Passadas umas
horas volto ao serviço e ao meu quarto. E vejo os sorrisos rasgados das
enfermeiras. Tinha corrido bem, e elas já o sabiam.
Quando o tal
médico, o chefe de serviço, entra no meu quarto disse com o seu ar austero mas,
pareceu-me a mim, com um sorriso nos olhos “Confirma-se. O teu fémur estava
desfeito pela bactéria, tivemos que o retirar, limpar e a coisa parece que
ficou com bom aspecto.” Agora iam ser carradas de antibióticos, análises todos
os dias, mais carradas de antibióticos, mais análises todos os dias. E ver se
resultava.
E assim foi
durante semanas e semanas e, de um momento para o outro, os períodos de febre
começam a ser mais espaçados. E mais espaçados. E mais espaçados. Até pararem.
Sabendo que eu
tinha boas condições em casa, os médicos arriscam mandar-me para casa com os
Cuidados Continuados. Ou seja, com o serviço de enfermagem móvel do hospital
que, 2 vezes por dia, me ia dar o antibiótico intravenoso.
Com a medicação
fui melhorando. E fui deixando de estar enjoada. E comecei a comer. E a ganhar
peso. E, finalmente, a recuperar. Foram minutos que
pareceram horas. Foram horas que pareceram dias. E foram 5 ou 6 meses que
mudaram para sempre as nossas vidas.
Depois de tudo
isto - acho eu que depois de uns 8 ou 9 meses entre ter sido internada e regressado
a casa - decido voltar devagarinho ao trabalho. Primeiro remotamente, porque
tinha mesmo que ir com calma. Mas um dia quis mesmo ir lá. À empresa. À minha
sala. À minha mesa. E estava tudo como eu tinha deixado. Fez-me bem sentir que
continuava a fazer parte daquilo. Como se nem um dia tivesse estado fora dali.
E no meu coração
não tinha. A minha vida tinha ficado apenas em stand-by. E era chegada a altura
de voltar a carregar no play. Hoje faço rewind muitas vezes, porque gosto de
recorrer aos ensinamentos que me ficaram destes dias. Mas, quem me conhece, sabe
que o estado normal é mesmo o forward! E, de
preferência fast forward...
PS – Não me levem
a mal, mas não quero elogios por ter passado/utrapassado tudo isto. Oiço-os há
23 anos, desde que fiquei de cadeira de rodas. Agradeço-os, claro, e até os
compreendo. Mas a única coisa que quero que entendam com esta história é que, por muito má que a
situação seja, quando tudo parece que não funciona, se acreditarmos que nos safamos, safamo-nos mesmo.
Quero mais tempo de vida.
A média que me dás não me chega para fazer tudo o que quero. Quero mais dias
felizes. Aliás, é mais simples que isso: não quero dias infelizes. Quero mais
sorrisos. Melhor, quero gargalhadas. Quero mais gente
preocupada com a própria vida, do que com a vida dos outros. Quero a vida profissional vs pessoal mais equilibrada. Quero que me
rodeies de gente verdadeira. Já não se aguenta malta invejosa.
Quero gente optimista
e que não desiste, apesar da caca de momento que estamos a passar.
Quero mais equilíbrio
social. Porque a balança anda baralhada e precisa de arranjo.
Quero estações do
ano definidas. As de hoje roubam os dias umas às outras, e assim nunca sabemos
com que contar. E isso irrita-me.
Quero menos
carros. Mas transportes públicos que sejam alternativas viáveis.
Quero mais
bicicletas, mas também ruas com mais condições para as receber.
Quero mais
acessos para as pessoas com mobilidade reduzida. Os que existem são inúteis,
para não dizer ridículos.
Quero um Governo
sério, que lute pelo meu país. O que lá está, só sabe lutar por ele próprio.
Quero uma igreja
credível, que nos ajude a ultrapassar os males da alma. Não quero Papas com
sapatos Prada e ouro por todo o lado.
Quero um país onde
os jornais em papel não tenham um fim. Porque o cheiro das folhas e o ritual
das folhear não se pode perder.
Quero um país
onde os jovens consigam acabar os seus cursos e encontrar o emprego dos seus
sonhos.
Quero um país que
explique as vantagens de emigrar. E que não nos obrigue simplesmente a fazê-lo.
Quero um país que
trate bem as crianças. E que não as deixe sentir na pele os erros dos adultos.
Quero um país que
trate bem os velhotes. E que não os abandone em casa, onde um dia são encontrados
mortos, ou os deposite num lar.
E, aproveitando
que falo dos velhotes, quero um país que os recompense financeiramente de anos de
trabalho e não lhes passe uma rasteira quando já poucos anos lhes restam. Quero um país que
permita a um doente terminal morrer com dignidade. Hoje, para o fazer, ou
contamos connosco, ou quem nos ajuda é preso. Quero um país que
permita que dois homens ou duas mulheres que se amam, possam transmitir esse amor
a um filho. Ao seu filho.
Quero um país que
feche na cela quem mata e burla, mas que esse “quem” seja rico ou pobre. Hoje a
justiça não é igual para todos.
Quero um país que
não enfie alguém numa prisão três anos por roubar comida num supermercado e os
mesmos três anos a quem abusa de uma criança.
Quero um país dê direitos aos animais. E que puna quem os maltrata. E puna a sério. E isto também implica acabar com touradas.
Quero um país que
se una para passar para fora o que de melhor se faz cá dentro. Porque o que é
nacional é mesmo bom. Quero um país que
não seja apenas conhecido pelo fado, futebol e saudade. Gosto dos três, mas quero mais. Quero um país atraente
para jovens empreendedores estrangeiros montarem empresas inovadoras.
Quero um país que
aposte fortemente no ensino do Inglês, do Português, Educação Física e Cívica e Artes Visuais. Só assim teremos adultos preparados para enfrentar o mundo, que
sabem escrever e falar correctamente a sua língua e outras, saudáveis, criativos
e civilizados.
Quero um país que
lute e que nunca desista. E que se una a sério quando é preciso falar mais alto
para se fazer ouvir. Enfim, quero isto
e muito mais. Porque sou uma jovem que, apesar de tudo, se orgulha do seu país
e que ainda acredita que Portugal vale a pena. Por isso quero o melhor.
E pronto Vida, assim
de repente é disto que me lembro.
Sei que são ideias soltas e sem grande sequência
lógica, mas podes organizá-las como quiseres. Desde que te mexas. Porque alguma coisa tem que acontecer. Parada é que não pode ser.
Sou uma chorona, confesso. Mas dizem que chorar é bom.
Quem olha para mim pensa que não, que sou uma fortalhuda. “Ah, já passou
por tanto que ganhou calo”. Ganhei, é verdade, mas, lamento desapontar, continuo
uma chorona.
Pensando bem, talvez a culpa das pessoas pensarem assim até seja culpa minha.
Durante muito tempo, sempre contei os zigue-zagues da minha vida pela positiva,
sem grandes dramas. Sei que foram, claro, mas não as sabia, nem sei, contar de
outra forma. E isso rotulou-me. Hoje, se me vou abaixo, estranham. Assustam-se.
Dizem “não…a Marta…não pode ser…!”
A verdade é que, mesmo contando as minhas histórias desta forma, tal não
lhes retira a crueldade com que rasgaram a minha vida. Rasgaram, mas cozi-a com
as melhores agulhas do mundo: o amor das mãos de quem sempre acreditou que a vida
podia e ia continuar. A minha mãe, a minha irmã, os meus amigos. E, continuou,
é um facto. Afinal, estou cá, não estou?
É certo que a vida me endureceu. Mas não é linear que, porque a vida me fez
passar por situações complexas, o que para os outros é um problema, deixou de o
ser para mim. Talvez haja apenas uma diferença: perco pouco tempo a chorar e a bater
com a cabeça nas paredes. Porque me obrigo a parar, a analisar friamente a
situação, a procurar encontrar caminhos e a seguir aquele que acho que me vai
tirar mais rapidamente daquela situação. Funciona sempre? Não. Galo…Aí repito o
processo, e repito, e repito, até resolver a situação. Pode demorar um
bocadinho. Mas não “penduro as chuteiras”. Nunca.
Depois há um truque que, eu diria, é infalível: quando não se consegue
encontrar estes caminhos sozinha, pede-se ajuda a quem achamos que pode ajudar.
No meu caso, nem é preciso porque, quem me conhece bem, apanha a coisa no ar e
põe-se em campo antes de eu abrir a boca para me queixar.
Mas a vida surpreende-nos sempre. E se alguma coisa aprendi com a minha foi
que, mesmo das situações mais difíceis, quase sempre podemos retirar alguma
coisa de positivo, algum ensinamento.
Às vezes penso: quem seria eu hoje se aos 15 anos não tivesse ficado de
cadeira de rodas? Quem seria eu hoje se aos 29 não tivesse estado a patinar 6
meses com uma infecção que decidiu dominar o meu corpo? A mesma Marta que todos
conhecem? Duvido. E duvido muito.
Um dia vi um filme curioso, com o JamesBelushi (Larry) e o Michael Caine (Mike),que memarcou. Chamava-se
Mr. Destiny e contava a história de um jogador de basebol que falhava uma bola decisiva
na equipa do liceu, e que atribui a esse momento o fracasso em que a sua vida se
tinha tornado. A certa altura, ao fugir da polícia,
Larry entra num bar onde conhece um barman, que não é mais que o seu anjo da
guarda. E que lhe dá a oportunidade de experimentar viver a vida se não tivesse
falhado aquela bola, naquele momento. Torna-se, assim, num homem rico, invejado.
Mas também cheio de problemas e que perde quem, de facto, amava. No fim, vêem-se
luzes fora do bar. E, quando tudo indicava que se seria a polícia, não passavam
das luzes de um carro de reboque. Larry percebe que voltou à sua vida normal,
aquela vida em que falhou a bola. Luta e volta a arranjar emprego, a endireitar
a sua vida. Mas uma vida onde pode contar com quem o ama para o ajudar a
reerguer-se.
Eu não tive oportunidade de ver “como seria se” mas, sinceramente, sinto que
se não tivesse passado por nada disto, talvez não me orgulhasse tanto de mim como
me orgulho. Desta Marta, com coisas boas e coisas más, mas que ultrapassou,
está cá para contar a história e, por vezes, até dá alguma esperança a quem
precisa dela.
Por outro lado, com estas rasteiras da vida, também aprendi a aceitar que
não controlamos nada. Que o que tiver que acontecer, acontece. Se for mau, ou nos
entregamos à coisa, ou a enfrentamos. Mas sem contemplações, sem medo. Sem nunca
entrar na luta a pensar que a vamos perder. Entrar para ganhar.
Para terminar, só uma nota para aqueles que me acham uma fortalhuda que não
chora. Estão longe de me conhecer bem. Basta porem-me à frente de uma criança,
de um velho ou até de um cão felizes. Dêem-me um dia bom no trabalho, uma
palavra de conforto num dia mais complicado. E o mais certo é a torneira pingar.
Não é assim todos os dias, calma, mas é sempre que sinto que preciso. Vergonha?
Hoje em dia, nenhuma.
Afinal, “Quando se não chora, parece que as lágrimas nos caem todas cá dentro e
queimam; e o padecimento é, então, de morte."
E, eu, caso não saibam, só estou a pensar em patinar
lá para os...vá, 115!
Hoje estás aqui, deitada ao meu lado. Na minha almofada. E
eu a meia-luz, para não te incomodar.
De vez em quando mexes-te. E o teu cheiro espalha-se no
ar. Cheiras a lavadinho, a novo, a fresco, a puro. Cheiras a tudo ao que de bom
a vida te vai dar. Cheiras ao que de melhor a vida me podia ter dado.
Estás aqui, ao meu lado, enroscada. Enroscadinha. Com uma
das mãos por cima de mim e a outra a agarrar na porca de peluche que a mãe te
deu. E na fralda de sempre. Hás de ter 18 anos e dormir com a fralda. Pensando
bem, espero que sim. Quer dizer que ainda não deixaste de ser a minha miúda bebé.
Apetecia-me conseguir não adormecer para poder ficar a
olhar para ti. Aqui, quentinha, ao meu lado, no conforto. Não fosse o cansaço
de um dia de nervos e era o que fazia.
Mas estes dias esquecem-se e tornam-se irrelevantes quando
chego a casa, tenho a minha malta à espera, a televisão nas notícias, o jantar
preparado, a lenha a crepitar. Risos. Os teus risos. E “tia-para-aqui-tia-para-ali”.
Vês-me no computador enquanto jantas e dizes-me “pronto, já
estás a escrever para o teu blog!”. Explico-te que não, que "ainda estou a
trabalhar”. Respondes-me “mas não devias”. E tens razão. De facto, não devia.
Depois dizes-me que tiveste Muito Bom a tudo. Mas que
ainda tens mais uma surpresa para mim. E dás-me um postal do Dia dos Namorados.
O postal que tu fizeste para o Dia dos Namorados. “Porque ninguém liga às tias,
não têm dias…Estúpidos. Nunca ninguém se lembrou de lhes dar um dia. Pronto, assim,
este fica o meu dia para ti.”
Já tínhamos um, o 18 de Abril, lembras-te? Nem me lembro
porque foi o 18 de Abril. Mas já o é há 2 anos. Na altura fizeste-me um desenho
com esta data e colaste na parede do meu quarto. “Assim não nos esquecemos
nunca” disseste. Agora também temos este. “Porque não tens namorado e porque
assim é também um dia a que muitas pessoas dão atenção”. Seja isto o que for…!
Há 9 anos a minha vida ganhou cor. Ganhou um arco-íris tão
grande, que torna qualquer dia de chuva num momento fantástico e memorável. És
tu, a “txuca da tia”, como gostas que te chame.
Quando cresceres vais ser uma miúda porreira. Tenho a
certeza. Uma miúda de quem me vou continuar a orgulhar todos os dias de ser
tia.
Vá querida, agora dorme bem, que tens que acordar cedo. A
tia está mesmo aqui ao lado. Sempre.
Há professores que nos
marcam para a vida. Acho que eles nem se apercebem. E nós, tantas vezes, só
mais tarde.
A mim marcaram três. Uma
pela negativa e dois pela positiva. Comecemos pela pior, para
podermos acabar com os melhores.
Chamava-se Silvina e foi
minha professora da 1ª à 4ª classe. Era velha e "má como as cobras”. Tinha uma
régua enorme e grossa – pelo menos na altura parecia-me enorme e grossa – com que nos batia nas
mãos quando nos portávamos mal. Lembro-me do António. Para
nós, o Tony. Era um rapaz gorducho, de bochechas coradas, que se portava mal com alguma frequência e
quase nunca fazia os trabalhos de casa. A vida familiar dele não era fácil. Nós sabiamos que não tinha um ambiente equilibrado em casa.
Quando chegava a altura do Tony mostrar os TPC's, e a professora percebia ele que não os tinha feito, a sala
ficava mais pequenina. O tecto mais perto de nós. Porque sabíamos o que aí vinha.
A professora levava-o
para a casa de banho, que ficava num dos cantos da sala, baixava-lhe as calças e
dava-lhe reguadas atrás de reguadas. Até a mim me doía. Aliás, doía à turma
inteira. Mas nem piávamos, com medo. E ele nem uma lágrima deitava. Mas percebiamos pelo seu olhar a dor que ele sentia por dentro. A dor de ter sido, mais uma vez, humilhado por aquela mulher. Lembro-me bem da cara dele.
Um dia foi comigo. Devo
ter feito alguma coisa que ela não gostou e imediatamente me mandou estender as
mãos. Estendi, claro. Deu-me três reguadas em cada uma. Nunca mais me esqueci. A
força foi tal que as mãos incharam. Chegou a hora de almoço e, como fazia sempre,
fui almoçar à cantina. Mas com as mãos doridas não conseguia pegar bem no prato.
A D. Noémia, cozinheira, reparou. E passou-se. Obrigou-me a ir ao gabinete da
Drª. Sara, directora do externato, e contar o que se tinha passado. Contei não só as
minhas reguadas, mas também as reguadas do Tony, e as de todos os outros
meninos. Nesse dia fui a heroína da turma! Mas bem me tramei nos dias seguintes!
A professora Silvina também foi
chamada ao gabinete. Não sei o que se passou lá dentro. Só sei que nunca mais
nos bateu. Só que, de vez em quando, vingava-se de mim. Não me batia mas obrigava-me a ir para o
“cochicho”, uma mesa, separada de todos os outros colegas por uma parede
fininha de madeira. Só tinha vista para…a professora. Isto antes de eu ir para
lá. Porque enquanto lá estive, e com o bico de uma caneta velha, fui fazendo um
buraco na parede, devagarinho, devagarinho, e também fiquei com vista para a
mesa da Cláudia. Ora a Cláudia era "só" a melhor aluna da turma. E, quando se apercebeu
do buraco, punha os trabalhos a jeito para que eu conseguisse copiar se
precisasse. Nem precisava, mas se fosse necessário, dava para ver. Ao fim de 2
semanas, voltei ao meu lugar, perto do resto da turma. Mas o buraco lá ficou. Para
o próximo.
Mas este foi o mau
exemplo, vamos aos bons.
O Filipe. Era o nosso
novo professor de Educação Física. Por questões familiares, tive que faltar à
apresentação. Por isso, assim que entrei na 2ª aula, oiço um “ah, então esta é
que é a espertinha que se baldou à 1ª aula”. Disse-o para toda a turma ouvir. A
relação tinha começado mal. Mas cedo percebi que o Filipe era um professor
diferente. E a grande diferença estava na forma como se relacionava
com os alunos e a paixão com que se dedicava ao seu trabalho. Não ensinava
apenas as cambalhotas, os pinos, o futebol e as coisas normais de um professor
de Educação Física. Esforçava-se por ensinar outras modalidades, promover o
espírito de equipa, ser amigo dos alunos. Até Basebol, Jogo do Pau e Folclore aprendi. E, como eramos
apenas três miúdas na turma de Desporto, a luta para fazer os pares no Folclore era sempre
caótica. O Filipe também foi o primeiro professor de Educação Física que nos pôs a
fazer testes escritos da disciplina. E não dentro da sala. Sentados nas
bancadas do Estádio 1º de Maio.
Fiquei de cadeira de
rodas precisamente na altura em que era aluna dele. Talvez um ou dois
meses antes. Lembro-me de termos ido passar um fim de semana à Serra da Estrela
pno fim de Fevereiro. O acidente aconteceu a 11 de Março. Já não puderam
contar comigo em Peniche (acho que era Peniche…), para o jogo de vólei
contra uma escola da zona. O Filipe entrou assim na
minha vida. E nunca mais saiu. 23 anos depois, é um dos meus melhores amigos. E, para terminar em
grande, mais um bom exemplo: a professora Fátima. Ensinou-me a disciplina de
Jornalismo, penso que no 11º ano. Nem ela sabe, mas foi a responsável por eu ter
seguido o caminho da Comunicação e, claro, por me ter lembrado de escrever esta história. Tantos e tantos anos
depois, recebi ontem um email dela que me tocou profundamente. Dizia mais ou menos isto: "Minha querida Marta, um dos meus filhos soube do seu blog
e deu-me conhecimento. Fiquei tão contente por ter notícias suas!
Não sei se ainda se lembra de mim, fui sua professora de
jornalismo no "Rainha". Nunca vou esquecer aquela miúda
"refilona", cheia de alegria e muito querida. Já li tudo o que escreveu e acho que escreve muito bem. Não sei se este email vai chegar, pois não sei se o
endereço está correcto.
Um beijinho grande."
Foi esta senhora que me
ensinou a escrever notícias e a interessar-me por jornais. As aulas dela eram,
a par das do Filipe, das únicas que eu gostava. Lembro-me que já estava de
cadeira de rodas e do trabalho de fim de ano ser fazer uma reportagem. Tinha
saído de Alcoitão há um ano e, como tinha odiado lá estar, queria aproveitar
para denunciar o que eu achava que se passava de errado naquela instituição.
Não me deram autorização, claro.
A vida avançou, entrei
para a faculdade, tirei Comunicação e hoje cá estou, a trabalhar na área.
Foram 20 e tal anos a
estudar e, de todos os professores que me marcaram, estes foram os tais. Um agradecimento do tamanho do mundo ao Filipe e à Fátima por terem influenciado, de alguma forma e em algum momento, a minha vida, o meu percurso.
A professora Silvina já
morreu, o Filipe continua por perto, muito perto. E a Fátima apareceu de novo na
minha vida. Se este blog não servir para mais nada, já serviu para isto. Fico
feliz por isso.
Maria, menina Sofia, Lena,
D. Piedade, Gina, Maria José, Paula, Gorette, Lucy e, mais recentemente, Emília
e Alcione. Houve outras mas destas lembro-me bem.
E a pergunta é? O que
terão em comum estes nomes? Pois eu respondo. São os nomes de algumas senhoras
que, ao longo dos meus 37 anos, trabalharam em nossa casa. Algumas mais tempo,
outras menos. Mas todas, de alguma forma, me marcaram e, por isso, merecem
uma história só para elas. Aqui está.
Falemos da Maria. A Maria
devia ter uns 40 anos. Tinha um ar meio alucinado e três características maravilhosas.
1º, todos os dias de manhã trazia de sua casa duas carcaças com manteiga “para
as meninas”. A 2ª característica não era assim tão simpática: enquanto arrumava
a casa bebia o vinho todo que havia na dispensa. E a 3ª, penso eu que ligada à
segunda, fazia chichi na pia da cozinha (sim, a nossa casa em Alvalade era
antiga e, antes das obras que entretanto fizemos, ainda existiam pias ao lado
dos lava-loiças). Claro que, quando a 2ª e a 3ª foram descobertas, tivemos que
dispensar a Maria.
Depois vem a menina
Sofia. Não era propriamente uma menina, mas como já vinha com esse nome de casa
dos meus tios, onde já trabalhava há alguns anos, manteve-o. Ora, a menina Sofia
era tipo madame Rottenmeier, da Heidi. Ríspida, dura,
intransigente. Comigo e com a mana. Porque com o Pantufa, o nosso cão da
altura, era um doce. Gostava mais dele do que de nós. Ah, e obrigava-me a beber
sumo de maracujá, que ainda hoje odeio. Claro que quando ela virava as costas
por minutos, eu despejava o copo de sumo numa das plantas lá de casa. Note-se
que ditas murcharam em pouco tempo.
Agora a
Lena. Era uma jovem. Vaidosa. Sempre que podia, enfiava-se no quarto dos meus
pais onde passava o tempo a vestir as roupas da minha mãe, pintar-se com a sua
maquilhagem e a borrifar-se com os seus perfumes. Eu e a mana víamos
aquilo e não achávamos graça nenhuma. Um dia apanhámo-la distraída e, para a
castigarmos, decidimos trancar a Lena no quarto. E assim foi. Devíamos ter uns 4
ou 5 anos. Unimos as nossas mãos, ainda pequenas, agarrámos na
maçaneta da porta e, com todas as nossas forças…pumba, batemos com aquilo.
Falta dizer que aquela porta estava com um problema e, quando fechada desta
forma, dificilmente se abria. Foi preciso chamar a D. Susana, a vizinha do
andar de cima, quase nossa 2ª avó, para vir salvar a rapariga. E lá veio a
velhota, com um afiador de facas, tentar tirar a Lena ali de dentro. E eu e a
mana a rirmo-nos num dos cantos da sala. A operação de resgate demorou. A mãe entretanto
chegou a casa e deparou-se com aquele belo cenário. Claro que, quando a porta
finalmente se abriu, a Lena foi…simpaticamente dispensada. Mas atenção: ia
cheirosa. Viemos mais tarde a saber que até o leiteiro pensava que ela era irmã
da minha mãe porque, quando lhe abria a porta, estava sempre vestida com as
roupas iguais às da sua suposta “mana”.
Entramos na
era Piedade. A Piedade era pequenina e usava um coque grisalho no alto da
cabeça. Tinha uns 60 anos e cara de bruxa. Mas, coitada, não era má pessoa. Só
se transformava quando via na televisão o Torres Couto, na altura
secretário-geral da UGT. Quase que o comia. Um dia, antes de sair, estava a
Piedade na casa de banho a ajeitar o cabelo e retirou o coque. Nunca a tínhamos
visto sem aquilo na cabeça. Tinha o cabelo comprido. Até aos joelhos… Quando me
viu a mim e à minha irmã à espreita, olhou para nós com os olhos de bruxa que
tinha. A partir daí, ganhámos-lhe um medo de morte. Passado poucos dias, também
foi “à vida”.
Veio a Maria
José. Uma velhota com 70 anos que se mexia melhor que uma rapariga de 30. A
casa arrumada por ela ficava um brinco. Na altura eu já estava de cadeira de
rodas mas, como a minha cadeira não entrava na casa de Alvalade, e ela não podia comigo ao colo, a Maria José
esticava um cobertor no chão, sentava-me lá, e puxava-me pela casa, até ao
sítio onde eu queria ir! Não parava nunca. Só quando caiu em casa dela, partiu
uma perna e teve que deixar de trabalhar.
Passemos à
Gina. Uma cabo-verdiana com 1m80, gira, gira. Mas estragada pela vida dura que
levava. Gostava muito dela. Dava-me uma ajuda enorme. De tal maneira ficámos
amigas, que era a única que, a par da minha mãe e irmã, eu deixava que me
fizesse o penso a uma escara terrível que tinha feito na zona do coxis. Mas,
apanhada em algumas mentiras, tivemos que a dispensar também.
Depois veio
a Paula. Baixinha e gordinha, devia ter a minha idade. Era a tal que arrumava a
casa a abrir para irmos as duas para a Sul América beber cafés e fumar
cigarros. Pegava em mim às cavalitas, descíamos 3 lances de escadas, sentava-me
na cadeira que ficava no hall do prédio, e lá íamos nós. Uma companheira. Mas
um dia apaixonou-se por um rapaz e decidiu seguir a sua vida.
Da Gorette
só me lembro porque era a senhora que trabalhava lá em casa no dia em que eu
fiquei de cadeira de rodas. Nesse dia era para vir de manhã mas não conseguiu e
ligou a dizer que vinha à tarde. Se tivesse vindo de manhã, talvez eu não
tivesse ficado de cadeira de rodas.
Foi durante
esta fase que eu e a mana eramos conhecidas como as irmãs metralha. Vá-se lá
saber porquê…
Depois
largámos Alvalade e fomos viver para a outra margem. Aqui tivemos a Linda, uma
cabo-verdiana loira de olhos verdes e cabelo aos caracóis, mas que passados uns
anos preferiu regressar à terra. Seguiu-se a Lucy, uma prima dela, boa rapariga,
caladona, brutamontes e metódica. Tão metódica que, quando era preciso começar
a arrumar a casa por uma divisão diferente, se baralhava toda. Ah, e era exímia
em dar-nos cabo de aspiradores. Na era Lucy, que durou quase 7 anos, devemos
ter tido uns 4.
Chegamos,
por fim, a 2012. E com a saída da Lucy e a morte do Gaspar – que largava pêlo
por todo o lado, o que nos obrigava a aspirar a casa diariamente – optámos por
contratar uma empresa para, uma vez por semana e em 2 horas, nos dar uma volta
à casa. Apareceram-nos 2 irmãs brasileiras – a Emília e a Alcione. Enxutas,
bem-dispostas, espertas que nem alhos, rápidas e que não estão ali para
brincar. Acabamos por falar sempre um bocadinho, é certo, porque gosto delas,
mas em duas horas a casa fica pronta. E num brinco.
E pronto,
aqui deixo a minha homenagem a estas senhoras, de quem nunca ninguém fala mas
que tanto nos ajudam diariamente. As nossas eram umas mais maradas que as
outras, é certo, mas todas com algo em comum que sempre as distinguiu: partilharam
e partilham o meu espaço. Fazem parte de importantes pedaços da minha vida. Estiveram
lá e ajudaram no que puderam. Sem pensarem duas vezes. É por isso que também
merecem estar aqui. É por isso que o meu agradecimento é público e de coração.