Desta vez foi em
Évora. Nos Nacionais 2013.
Dezenas de
escolas, centenas de miúdos dos 14 aos 16 anos. Basquetebol, Voleibol, Andebol,
Futsal, Atletismo, Provas de Orientação e Corridas, Perícias em Patins.
Pavilhões novos
ou pavilhões velhos. Pouco importava, porque a motivação pareceu-me sempre a mesma. Nas bancadas, a família, a torcer por
eles. Os “seus meninos”, como ouvi de duas mães que estavam ao meu lado.
Caixotes de t-shirts
coloridas para todos, listas de presenças. Organização. Mas que grande organização.
Carolice,
trabalho de equipa. Sangue, suor e lágrimas. Mas também divertimento. Sim, eu
que nada tinha a ver com aquilo, que de desporto nada pesco, aprendi. E diverti-me
à brava. Gente boa.
Ao contrário do
que por aí se diz, o que eu vi ali foi gente empenhada. Homens e mulheres que
trabalham durante a semana e que depois ainda o fazem durante o fim-de-semana.
Muitas vezes, em prejuízo das próprias famílias.
Pagam-lhes bem?
Não. Pagam-lhes mais por isto? Não. Vi alguém de má cara, contrariado?
Claramente que não.
O que vi foi a
dedicação, a vontade de fazer tudo andar, de cumprir o programa, de dar
medalhas, de valorizar os “atletas”. De os manter no caminho certo para serem
alguém no futuro. Através da prática desporto e do que ela nos ensina.
Miúdos que, de
Norte a Sul do país, se deslocaram das suas terras, tantas vezes longínquas,
para competir. Quem pagou? O Desporto Escolar.
Entre vários, um momento que retive: no fim de um almoço no refeitório
da escola que servia de quartel-general à organização, depois de passar a manhã
a entrar e a sair das escolas envolvidas, um café na sala de professores. Depois
de alguns momentos de anedotas e de gargalhadas, como só os alentejanos sabem
contar, altura para ponto de situação. Momento mais sério. Profissional. De concentração.
Rever como estava
a correr, o que faltava, em que ponto se estava do programa. Como o cumprir até
ao fim. Nada podia falhar. Tudo em prol dos miúdos, que levam este momento tão a sério. Até ao
fim.Directores Gerais, Coordenador Nacional, Coordenadores Regionais, Professores Responsáveis de Grupos Equipa, Equipa Nacional, Professores de Apoio, Coordenadores Nacionais de Modalidade e Alunos. Todos juntos. Sem queixas. A remar para o mesmo lado.
Nas competições vi
miúdos felizes, com vontade de dar palco às suas escolas, de lhes dar destaque.
De as pôr no pódio. De subirem ao pódio.
Vi miúdos
dedicados ao desporto ao invés de perdidos pelas ruas a fazer disparates e a
tornarem-se delinquentes. Vi miúdos com vontade de fazer desporto. Vi miúdos com
saúde. E tudo isto sem terem que pagar. O Desporto Escolar é gratuito. Combate
o insucesso escolar. Melhora a aprendizagem e o ensino. Promove a vida saudável
e o trabalho de equipa. Faz de a quem a ele tem acesso, pessoas mais equilibradas.
É uma máquina
gigante. Nacional. E oleada. Pelo que eu vi, muito bem oleada. Tarefas bem
definidas, cada um sabe o seu papel de cor. Máquina posta a trabalhar por gente
que se dedica a fundo ao projecto. Gente que leva cortes no salário, mas que
continua a organizar estes momentos apenas com um objectivo: mostrar aos jovens
que é importante manterem-se ligados ao desporto. Que a prática do desporto os
vai fazer chegar mais longe.
Mesmo que nem
todos se tornem Cristianos Ronaldos, aprendem que há mais para lá de jogos de
computador, televisão e noitadas desregradas.
Senhores
governantes, ponham os olhos nisto, apostem nisto. O Desporto Escolar é um dos caminhos mais importantes para
termos gente bem formada no nosso país. Que tanta falta fazem. Como tão bem sabemos.




