"Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo, que o tempo cura, que a mágoa passa, que deceção não mata, e que a vida sempre, sempre continua."
*Simone de Beauvoir
*Simone de Beauvoir
É oficial: não tenho andado
inspirada.
A vida tem
corrido rápido demais e a tranquilidade de que preciso para escrever tem
escasseado.
O meu mundo
acorda a correr, com horas para tudo. Sai de uma e entra noutra. Só respira
quando o deixam. Com o coração tantas vezes aos saltos. E depois, quando este
meu mundo pensa que as águas acalmaram, tudo se agita de novo.
Mas nem tudo é
mau, seguramente. Pelo meio dos dias que preferíamos riscar do calendário, estão
os dias bons, produtivos. Os que nos fazem acreditar que ainda vale a pena. Que
ainda vale o esforço.
Por isso, de
manhã olho para o espelho, respiro fundo e penso “vamos a isto”. E vamos
sempre.
Não posso apagar
os últimos meses. Senti-me muitas vezes deixada à minha sorte. Foram poucos
aqueles com quem partilhei o que realmente me apertava a alma.
Fi-lo com os que
nunca falham. Aqueles que me dão e se dão na medida certa. Umas vezes para me
ouvir falar do que me acossa, outras só para mudar o rumo à conversa e fazer
esquecer que aquilo alguma vez incomodou. Estes não falham. Estão lá sempre.
Fui recuperando o
meu espaço. A confiança. A cabeça foi arrefecendo e tudo se foi alinhando. Com
o tempo. Porque foi com ele que contei - com o tempo. Esse implacável que, dê as
voltas que der, acaba por colocar tudo no lugar certo. Tudo.
Sei que a vida é
feita de momentos. E, como poucos, também sei que nem todos podem ser
positivos. Mas sempre fui boa a fintar tempestades. E a ajustar as velas do meu
barco para seguir em frente. E há coisas que nunca esquecemos.
Ainda vou a meio
da estrada. Ainda não lhe vejo o fim. Mas não tenho dúvidas que estou, finalmente,
no caminho certo.
Agora é ir. Mas
sempre e apenas numa direção: em frente.