14 de maio de 2017

F de “Ficar quietinho”

Já muito se escreveu sobre os 3 Fs que levaram Portugal e os Portugueses ao rubro nos últimos dias. Chegou a minha vez.

Entrámos no fim de semana com a vinda do Papa a Fátima, que juntou no santuário muitos milhares de pessoas. 55 países representados, entre velhos e novos, gente com mais ou menos conforto financeiro. Cada um com a sua história, cada um com o seu objetivo, cada um com a sua fé. Enquanto uns pagam promessas, outros fazem-nas, crendo que a vida ficará mais leve.

Do avião saiu mais do que o representante máximo da Igreja Católica. Saiu um homem simples, de sorriso e toque fácil, de afetos. Um homem que une quem acredita e quem não acredita. Um homem que tem o dom de aproximar países. Um homem que faz política sem a fazer. Que diz o que muitos nunca tiveram coragem de dizer. Que toca nas feridas. Um homem bom.




Às 18h15, grande parte dos portugueses vibrou com a vitória do Benfica frente ao clube de Guimarães e, dizem, mais de 200 mil juntaram-se no Marquês de Pombal, para comemorar o “tetra”.

Ao início da noite, famílias inteiras sentaram-se em frente da televisão para assistirem à atuação de Portugal, pela belíssima voz de Salvador Sobral, no Festival da Eurovisão. Há 20 ou 30 anos que ninguém o fazia, tal tem sido a fraca qualidade do que Portugal lá tem levado. “Vergonha alheia”, respondiam quando se lhes perguntava porque não seguiam o programa. “Vergonha alheia” foi também a minha resposta tantas vezes. O “Amar pelos Dois” uniu pais e filhos, avós e netos, Portugueses ou não, na esperança de trazer o caneco para o nosso país. E trouxe.

No dia seguinte, foram outros tantos os que se deslocaram ao Aeroporto de Lisboa para receberem o miúdo em braços, como se de um “Salvador” se tratasse.

Em apenas 3 dias, vimos Portugal a unir-se por 3 causas: Fátima, Futebol e Festival. E foi emocionante, ninguém põe em causa. Mas que tão facilmente se unisse também pela causa dos que vivem na rua, pelos que são vítimas de violência doméstica, pelos que procuram emprego, por todos os que precisam de ajuda para fazerem gritar a sua palavra, e tantas vezes os seus direitos, mais alto.

Porque como já alguém disse - e bem - se o objetivo é ir rápido, devemos ir sozinhos, mas para irmos longe, só acompanhados. Ou, nas palavras do Papa "o todo é superior à parte".