28 de fevereiro de 2014

O tempo que tira. Mas que depois devolve.

"Que nada nos limite, que nada nos defina, que nada nos sujeite. Que a liberdade seja nossa própria substância, já que viver é ser livre. Porque alguém disse e eu concordo, que o tempo cura, que a mágoa passa, que deceção não mata, e que a vida sempre, sempre continua."

*Simone de Beauvoir

É oficial: não tenho andado inspirada.
A vida tem corrido rápido demais e a tranquilidade de que preciso para escrever tem escasseado.
O meu mundo acorda a correr, com horas para tudo. Sai de uma e entra noutra. Só respira quando o deixam. Com o coração tantas vezes aos saltos. E depois, quando este meu mundo pensa que as águas acalmaram, tudo se agita de novo.
Mas nem tudo é mau, seguramente. Pelo meio dos dias que preferíamos riscar do calendário, estão os dias bons, produtivos. Os que nos fazem acreditar que ainda vale a pena. Que ainda vale o esforço.
Por isso, de manhã olho para o espelho, respiro fundo e penso “vamos a isto”. E vamos sempre.
Não posso apagar os últimos meses. Senti-me muitas vezes deixada à minha sorte. Foram poucos aqueles com quem partilhei o que realmente me apertava a alma.
 
 
Fi-lo com os que nunca falham. Aqueles que me dão e se dão na medida certa. Umas vezes para me ouvir falar do que me acossa, outras só para mudar o rumo à conversa e fazer esquecer que aquilo alguma vez incomodou. Estes não falham. Estão lá sempre.
Fui recuperando o meu espaço. A confiança. A cabeça foi arrefecendo e tudo se foi alinhando. Com o tempo. Porque foi com ele que contei - com o tempo. Esse implacável que, dê as voltas que der, acaba por colocar tudo no lugar certo. Tudo.
Sei que a vida é feita de momentos. E, como poucos, também sei que nem todos podem ser positivos. Mas sempre fui boa a fintar tempestades. E a ajustar as velas do meu barco para seguir em frente. E há coisas que nunca esquecemos.
Ainda vou a meio da estrada. Ainda não lhe vejo o fim. Mas não tenho dúvidas que estou, finalmente, no caminho certo.
Agora é ir. Mas sempre e apenas numa direção: em frente.

6 comentários:

  1. Marta, precisas de sol! Precisamos todos de sol! E de ar e liberdade... e de outras coisas de que falaremos as duas quando nos reencontrarmos. O exercício que fizeste é superar a emoção no dia-a-dia profissional... Difícil para quem não é frio, para quem sente e gosta de exprimir o que sente. Beijo grande!

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    1. É verdade que prefiro sentir e expressar o que sinto, mas aprendi a fazê-lo apenas obedece com quem posso. Foi difícil mas sou a prova de que é possível! Bj!

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    2. Não é "obedece", é "fazê-lo". Raio de escrita inteligente:-)

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  2. Aprendi que o tempo cura, que a mágoa passa, que a decepção não mata,que o hoje é reflexo de ontem...
    Compreendi que podemos chorar sem derramar lágrimas,que os verdadeiros amigos permanecem, que a dor fortalece, que vencer engrandece...
    Aprendi que sonhar não é fantasiar, que a beleza não está no que vemos e sim no que sentimos, que o valor está na conquista...
    Compreendi que as palavras têm força, que fazer é melhor do que falar, que o olhar não mente, que viver é aprender com os erros...
    Aprendi que tudo depende da vontade...
    Que o melhor é ser nós mesmos...
    Que o segredo da vida é VIVER!

    Um grande beijinho Marta (sara)

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Olá Marta,

    Ainda bem que quase todos temos este tal "vamos a isto" gravado no nosso código genético. Quase sempre quer queiramos quer não lá temos de arregaçar as mangas e pôr mãos ao trabalho ou fazermo-nos à estrada seja ela qual fôr, seja lá qual fôr o destino a que nos conduz.

    :) Somos assim. Ainda bem.

    Saber dar tempo ao tempo tb é uma arte, se dermos demais falhamos o arregaçar de mangas e se nos apressarmos, podemos atropelar-nos a nós mesmos ou a outros, ou provocar com que outros se atropelem tipo efeito dominó.

    Beijinhos até ao próximo.
    Bruno

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